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In Continente

o blog que tem dificuldade em separar as águas...
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    Wednesday, January 07, 2004

    Tarde 

    Deixo-me entardecer, como o dia que passa por mim sem parar, sem ficar comigo a descansar depois de um dia de trabalho.
    Deixo-me entardecer com o pôr-do sol que desaparece porque essa é a sua função durante o dia.
    Deixo-me entristecer com a noite que começa no fim do dia, que acaba tudo com a alegria de um final, que começa reluzente e reluzente permanece.
    Deixo-me aquecer pelo sono que me preenche os olhos quando olho através da janela e vejo a Lua a olhar através de mim.
    Deito-me.
    Deixo-me embalar pelo cansaço da Terra que se translade devagar para eu não cair da cama.
    Deixo-me adormecer pela saudade de ter mais uma manhã à minha espera quando voltar a abrir os olhos.
    Deixo-me abraçar por ti, porque sei que sem esse abraço a próxima manhã não será suficiente.

    Monday, December 15, 2003

    Por fim 

    Hoje entreguei o meu último bater de asas.
    Entreguei tudo o que me restava.
    E agora, por fim, posso esperar descansado...

    Friday, December 12, 2003

    Por aí 

    Ando por aí, a cruzar-me com pessoas na rua.
    O que será daquelas com quem nunca me cruzarei?
    Amores perdidos?
    Esperanças esquecidas?
    Talvez.
    Ou talvez sejam apenas o destino de outras almas.

    Thursday, December 11, 2003

    Tudo sobre o pôr-do-sol 

    O Sol leva demasiado tempo a desaparecer.
    Talvez seja porque não é o Sol que se põe, mas sim a Terra que se dispõe.

    Wednesday, December 10, 2003

    Desvanecer 

    Em tempos fui nítido.
    As pessoas passavam por mim na rua e desviavam-se. Viam-me a vir na sua direcção e desviavam-se para não esbarrar comigo.
    Algumas não se desviavam. Mas quando alguém não o fazia era de propósito para me abraçar, para me beijar, para me acarinhar... Podiam mesmo desviar-se de mim, mas para me dar a mão, para caminharem a meu lado.
    Tudo por tua causa.
    Tu tocavas-me, logo eu existia.
    Mas a lógica sempre teve dificuldade em aprender-me.
    Por isso desistiu de ir às aulas em que eu era matéria e fez com que a permissa "tu" fosse excluída do programa.
    Mas "eu" sem "tu" é um silogismo impossível, logo comecei a desvanecer.
    "Eu" sem "tu" não existo.
    Comecei a caminhar na rua por entre as pessoas, as pessoas já nem se desviavam, continuavam em frente sem se aperceberem que me estavam a atravessar.
    Hoje sou mais transparente que um fantasma. Já nem sequer faço frio, já nem sequer faço vento.
    Já ninguém me sente.
    Já nem eu me consigo sentir.

    Friday, December 05, 2003

    Redacção: Se eu fosse o Tempo 

    Se eu fose o Tempo seria gande. Seria jigante. Seria muito muito gande.
    Tão gande ce ninguém me consegia vere.
    Se eu fose o Tempo não parava. Andava sempe a correre. Mas não andava só para a fente, tambem andava para tas.
    Se eu andase para tas, andava até aos dias bons, aos dias ce eu mais tinha gustado. Purce se eu andase so para a fente, não sabia se ia gustar dus dias ou não.
    Se eu fose o Tempo não ezistia mas as pesoas andavão-me sempe a contare. Contavão-me mas eu nunca tinha fim.
    Eu era muito gande.
    Se eu fose o Tempo so avia uma pesoa ce me consegia contare.
    A minha amiga espasial.
    Se eu fose o Tempo so tinha espaso para ela.
    So ela cabia dento de mim e eu so cabia dento dela.
    So eu a minha amiga.
    Se eu fose o Tempo não me impotava, desde ce tivese toudo o espaso ce eu cizesse...

    Fim.

    Saudades 

    Certo dia, quando era pequenino, sentei-me na pétala de uma rosa e fiquei a olhar o jardim que me rodeava.
    Tudo era colorido como se fosse algo estranho, como se fosse algo que não pertencesse à realidade. Eu permanecia sentado na pétala da rosa.
    Com o sol a brilhar intensamente na minha face, deitei-me para tornar o céu meu cobertor.
    Deitei-me e dormi.
    Sonhei contigo.
    Sonhei em conhecer-te, sonhei em estar contigo, sonhei em ficar contigo. E enquanto sonhava sorria, feliz.
    Acordei com o frio da noite.
    Não me lembrei do que tinha sonhado.
    Senti apenas saudades do futuro.
    De súbito, a chuva choveu.
    A rosa fechou-se.

    Wednesday, December 03, 2003

    O Amor é... 

    O Amor não é.
    O Amor não existe.
    O Amor é nada.
    O Amor descansa do tempo e ri-se às gargalhadas das voltas que nós damos para o tornar real. Das coisas que fazemos para o evocar, das coisas que sentimos para o poder justificar.
    Para o poder definir...

    Amor:
    do Lat. amore
    s. m.,
    viva afeição que nos impele para o objecto dos nossos desejos;
    inclinação da alma e do coração;
    objecto da nossa afeição;
    paixão;
    afecto;
    inclinação exclusiva;
    ant.,
    graça, mercê.

    com ... : com muito gosto, com zelo;
    fazer ... : ter relações sexuais;
    loc. prep.,
    por .... de: por causa de;
    por ... de Deus: por caridade;
    ter ... à pele: ser prudente, não arriscar a vida;
    ... captativo: vd.amor possessivo;
    ... conjugal: amor pelo qual as pessoas se unem pelas leis do matrimónio;
    ... oblativo: amor dedicado a outrem;
    ... platónico: intensa afeição que não inclui sentimentos carnais;
    ... possessivo: amor que leva a subjugar e monopolizar a pessoa que se ama; o m. q. amor captativo.

    Amor nem sequer é uma palavra.
    O Amor é...
    ?

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